Existe um consenso criado pela Propaganda (ou foi o Chacrinha, não sei bem) que toda marca ou empresa precisa comunicar, porque a propaganda é a alma do negócio. Infelizmente esse conceito não é a realidade da maioria das empresas.

No Brasil, mais de 90% das empresas são micro ou pequenas. Esses perfis têm prioridades a cumprir antes de destinar verbas para a contratação de agências ou freelances de comunicação, independentemente do surgimento da internet.

As principais metas são a avaliação constante da oportunidade de mercado (aquilo que justifica a existência da empresa) e o planejamento da atuação com foco em vendas. A preocupação para estruturar a imagem da marca pode nunca existir e nem por isso, deixarão de prosperar.

Todo empresário sentirá a necessidade de “falar” com o seu setor ou o seu público durante seus processos de venda, mas essa comunicação está longe de ser a propaganda que fará a diferença frente aos concorrentes.

Na demanda por serviços de comunicação temos muitos micros e pequenos empresários mal orientados sobre o uso da Comunicação Comercial, mesmo assim formam um nicho de milhões de reais para empresas online que vendem pacotes sem se preocuparem com qualidade ou resultados, porque esses sistemas de venda de comunicação online, sabem que esse tipo de cliente não será impactado, nem negativamente e nem positivamente, com a  comunicação que estão comprando, seja um nome para a empresa, um logo, um folder, um cartão de visita, uma landing page, um vídeo ou um pacote de posts para as redes sociais.

O acompanhamento dos resultados da comunicação é importante porque gera dados para aperfeiçoar as soluções a curto, médio e longo prazo, ao ponto de interferirem no faturamento da empresa (direta ou indiretamente) e assim, a comunicação passa a funcionar para atingir objetivos e se transforma em uma ferramenta quase indispensável. Mas quando o cliente e o prestador de serviços não sabem o que são resultados em comunicação, tudo não passa de uma compra de oportunidade, com base no gosto pessoal e fica claro que fazer uso de comunicação profissional faz parte de uma estratégia.

Da mesma forma as agências e os freelances de comunicação precisam definir com cautela o perfil do cliente ideal. Avaliar a necessidade do cliente com olhos de especialista é a chave para o sucesso e assim funciona com a venda de propaganda, sites, aplicativos, design de produto, design gráfico, redes sociais, ilustrações, consultorias em marketing e por aí vai. E não precisamos dizer que a necessidade da marca, muitas vezes, é bem diferente das necessidades dos gestores das marcas.

Indústrias são bons clientes para a compra de design e propaganda. Além da comunicação B2B para apoio as vendas, muitas indústrias possuem produtos voltados ao consumidor final e obrigatoriamente, cedo ou tarde, vão encarar uma disputa em um nível acima e sentirão a necessidade de agregar valor as suas marcas e garantir sua fatia de mercado junto ao seu público consumidor, sem falar que possuem estruturas mais elaboradas com vários departamentos integrados, rotinas específicas e equipes diversificadas, ao longo do tempo, dependendo do crescimento dessa indústria, esse layout de fábrica pede atenção e investimentos para ações de endomarketing.

Uma vez que a estabilidade operacional e financeira da empresa foi conquistada (graças ao cumprimento das prioridades comerciais e administrativas) será a hora da indústria assumir sua divulgação institucional e de produtos, tirando das mãos do Trade essa responsabilidade. Em média, uma pequena indústria orientada por uma consultoria em Gestão de Design, fará sua iniciação à compra de comunicação profissional investindo cerca de R$ 50 mil e R$ 80 mil na primeira fase do projeto e se tudo der certo, doze meses depois passará a investir de forma contínua aproximadamente R$ 200 mil por ano. O aumento na porcentagem do investimento em comunicação (institucional ou de serviços e produtos) se dá pelo retorno atrelado aos resultados planejados em várias frentes como assessoria de imprensa, design industrial, publicidade (on e offline), feiras de negócio, ações no PDV, relações humanas, entre outras possibilidades.

O fato é que existe uma diferença muito clara da necessidade do uso da comunicação profissional para alavancar vendas e qualificar a percepção de valor da marca. E essa necessidade está diretamente ligada às ações da concorrência e à saúde financeira e operacional da empresa. Comunicação profissional é para quem pode e não para quem quer. Marcas, produtos e serviços competitivos não podem renunciar à comunicação profissional (desenvolvida por agências, profissionais e veículos comprovadamente especializados) sem se preocuparem com a estratégia e os investimentos da concorrência, relaxar nesse investimento e depreciar a comunicação da marca é dar “um tiro no pé” e as vezes, esse tiro atinge a cabeça.